- Meus Dois Anjinhos esperem por mim um dia nos reencontraremos e seremos felizes na presença de Deus. Amém! -
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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012





Meu nome é Amanda Kely, tenho 31 anos. Sou casada há 3 anos com João Roberto. Casamo-nos em fevereiro de 2009.
No dia 21 de abril de 2010, descobri que estava grávida pela primeira vez.
Na verdade, não foi uma gravidez muito bem planejada pois eu ainda estava me adaptando no meu casamento e ainda morávamos com meus pais. Mas o fato de estarmos empregados e formados, com nosso diploma, me deixava mais tranquila.
Ficamos extremamente felizes com a minha primeira gestação.
Pelos exames, estava tudo bem com o bebê, era um menininho, mas eu apresentei uma infecção urinária e tive que tomar medicamentos para me curar. Eu não fiquei muito preocupada, pois minha mãe dizia que a maioria das mulheres grávidas que ela conhecia apresentou infecção urinária e tiveram seus filhos saudáveis e sem nenhum problema, mas não foi bem assim.
Aproximando as festas juninas eu tive que me internar no único hospital público da minha cidade porque tive um pequeno sangramento que se intensificou.
Fiquei com muito medo de perder meu bebê, eu rezava muito para Deus e todos os santos que conhecia para que não deixasse acontecer nada de ruim e protegessem a vida do meu filho.
Fiz várias ultrassonografias e pelos exames estava tudo bem com meu bebê. A médica me prescreveu uma medicação para segurar meu filho e me mandou para casa ficar em repouso.
Fiz tudo o que a médica havia falado.Ela dizia que iria ficar tudo bem.
Alguns dias se passaram e eu comecei a sentir contrações fortíssimas, procurei imediatamente a médica, mas já era tarde demais, no dia 04 de julho de 2010 eu tive um aborto espontâneo.
Sofri muito com a perda daquele bebê, senti um vazio muito profundo, uma tristeza enorme me envolvia, uma culpa imensa então eu coloquei na minha cabeça que iria ficar grávida logo, eu queria um filho para suprir o vazio que o outro havia deixado.
A médica me disse que como eu não tinha nenhum problema de saúde, com três meses eu estaria pronta para engravidar novamente.
Eu fiz vários exames para me certificar que realmente estava tudo bem com minha saúde, me preparei para ser mãe mas os meses foram passando e eu não conseguia engravidar, todo final de mês era aquela decepção e sofrimento, acabei me sentindo até inferior às outras mulheres por causa disso.
Bem, depois de ter me apegado a Deus e as minhas orações, um ano se passou e foi exatamente no dia 15 de julho de 2011 que descobri que estava grávida pela segunda vez.
Uma mistura de sentimentos dividiu meu coração, eu estava extremamente feliz pela minha gravidez mas com muito medo de perder novamente o meu bebê.
Cuidei-me muito para que não fosse diagnosticado nenhum tipo de infecção naquela gravidez, e realmente não foi diagnosticado.Fiz meus exames e consultas todos particular em uma clínica "única clínica com ginecologista/obstetra especializada da cidade"
O tempo foi passando, era uma ansiedade para que passasse logo.
Pelos exames estava tudo bem fora uma gripe muito forte que eu tive no iniciozinho da gestação e me fez tossir muito, o que tornou a minha placenta baixa, mas com 20 semanas ela estava totalmente no lugar certo.
O bebê se mexia ativamente, era um menino. Minha família estava radiante de tanta felicidade, seria o primeiro neto de meus pais e eles que só tiveram duas filhas, eu e minha irmã ficaram ainda mais felizes e esperançosos pela chegada do neto que para eles seria como um filho "o filho que eles não tiveram", ainda mais que eu e meu marido havíamos combinado de deixar o bebê com minha mãe no nosso período de trabalho e depois levaríamos ele para a nossa casa, que já estava sendo construída, Queríamos dar o melhor para ele.Aí seria aquela curtição nossa com nosso nenê.
Fiz a ultrassonografia morfológica, um exame mais detalhado para certificar que realmente estava tudo bem com meu bebê, e estava tudo perfeitinho. Eu já estava com 24 semanas de gestação.
Iniciamos então a arrumação do enxoval do nosso menininho. Eu, minha mãe e minha tia fizemos questão de bordar algumas pecinha à mão. Eu aprendi a tricotar na net só para fazer algumas pecinhas para ele.
Estava tudo maravilhosamente bem, até que um dia de domingo em que eu estava sentada crochetando um biquinho em uma cobertinha de flanela que havia comprado para ele, quando me levantei, comecei a sentir uma sensação de peso no pé da barriga, achei aquilo muito estranho e resolvi ligar imediatamente para minha médica que suspeitou logo que poderia ser uma infecção urinária, mas era domingo e a clínica dela não abriria no domingo, então por telefone mesmo ela me prescreveu um medicamento e me recomendou que ficasse em repouso e no outro dia bem cedo fosse lá e levasse a urina para análise no laboratório e pedisse o resultado com urgência porque ela queria me examinar e ver meu resultado, assim eu o fiz.
Só que o exame não acusou infecção nenhuma, então ela fez uma nova ultrassonografia para ver a placenta e o líquido amniótico, mas estava tudo bem, nada de anormal, ela então me falou para ir prá casa e continuasse a medicação e o repouso e qualquer coisa que eu ligasse no celular dela.
Fiz tudo que a médica disse, só que meu quadro foi só se agravando com o passar dos dias e eu sempre ligando e ela me dizendo que não era nada que algumas mulheres grávidas tinham isso mesmo, algumas apresentavam até contrações a gestação toda, enfim...
Toda vez que eu falava com minha médica ela me tranquilizava, mas passava alguns instantes e lá estava eu morrendo de medo que acontecesse alguma coisa e apegada a todos os santos que eu conhecia para que não deixasse eu perder meu bebê.
Bem, na madrugada de quinta para sexta-feira eu apresentei um sangramento e contrações, esperei então o dia terminar de amanhecer e procurei outra médica.
Pela nova ultrassonografia ela me disse que estava tudo indo muito bem, meu menino estava sentadinho segurando no pezinho, mas como eu havia relatado para ela que estava com contrações na madrugada ela resolveu fazer um toque para ver se eu não estava entrando em trabalho de parto, foi quando ela me disse que eu estava com 4cm de dilatação do colo do útero.
O mundo caiu sobre mim naquele instante, minha mãe me acompanhava porque meu marido estava trabalhando, ela tem alguns probleminhas de saúde, apesar de controlados e disse ficar sem nenhuma gota de saliva na boca quando a médica falou aquilo.
Me lembro que a única pergunta que fiz á médica naquela hora foi " Doutora se meu filho nascer agora ele tem chance de sobreviver?" então ela me respondeu " Olha você está com 26 semanas de gestação, se seu filho nascesse e colocasse ele em uma uteíneonatal ele sobreviveria, mas nessa cidade que a gente mora não há hospitais ou clínicas com qualquer tipo de uteí, o conselho que lhe dou é que se eu fosse você eu me internaria no hospital público da cidade para que eles tentem conseguir uma vaga em uma uteíneonatal para seu filho em uma outra cidade mais próxima porque um órgão público com outro órgão público é mais fácil de conseguir vaga, enquanto isso você vai tomando uma medicação para inibir o processo do parto para que seu filho espere nem que seja até completar 28 semanas, você fica de repouso absoluto e todo cuidado é pouco porque sua bolsa está quase para estourar e com o próprio pé o bebê pode estourar a bolsa, Eu vou lhe dizer uma coisa, sua sorte é que seu nenê está sentadinho porque se ele estivesse de cabeça para baixo ele já tinha nascido"
Não esperamos mais nada e fomos dar entrada no hospital, procurei entrar em contato com a minha médica que sempre me acompanhou a fim de que ela pudesse nos dar uma força no sentido de arranjar vaga para meu filho em uma uteíneonatal, recorremos a meu primo que é médico recém-formado e tem amigos pediatras que trabalham em uteísneonatais, pedimos ao hospital que enviasse fax para conseguir vaga em outros hospitais.
Eu fiquei internada, tomando medicação para inibir o processo do parto, seguindo as recomendações médicas e minha mãe ficou comigo, sofrendo e me vendo sofrer. Há todo instante vinha uma enfermeira tentar ouvir os batimentos cardíacos do me nenê e sempre estava à 150 ou 152 batimentos por minuto, isso me desesperava porque meu filho estava vivo dentro de mim e eu não poderia fazer nada para salvá-lo.
Os médicos me disseram que se caso ele nascesse vivo e não conseguissem uma vaga para ele, lá no hospital que eu estava havia uma incubadora preparada para receber bebê de 32 semanas, estava desocupada, caso ele viesse ao mundo eles iriam colocá-lo lá, seria melhor que nada.
No sábado o médico plantonista do hospital receitou uma medicação para amadurecer alguns órgãos do meu bebê caso ele nascesse vivo.
No domingo de manhã, acordei com uma enfermeira tentando ouvir os batimentos cardíacos do meu bebê e não estava conseguindo, foi aí então que ela chamou várias colegas para tentar escutar e nenhuma delas ouviu aí ela resolveu chamar a médica plantonista que conseguiu ouvir só que estava bem fraquinho, então ela resolveu me encaminhar para a sala de ultrassom para ver o que estava acontecendo.
Eu estava perdendo muito sangue.
Na ultrassom quem me atendeu foi minha médica ginecologista/obstetra, ela me examinou e disse que estava tudo bem só que meu líquido tinha diminuído, mas que iria repor no soro, meu nenê estava atravessado em minha barriga.
Resumindo, quando eu voltei da sala de ultrasonografia eu comecei a sentir contrações fortíssimas, e a perder muito sangue, aí a médica me examinou e disse que ele estava começando a nascer pelo pezinho, me levou então para a sala de parto.
Parecia mesmo psicológico, que a vontade de salvar meu nenê era tanta eu rezava o tempo todo, nesse momento as dores foram embora, a médica me falava para fazer força e cadê dor para fazer força, acho que no fundo eu achava que se ele ficasse mais um pouquinho dentro de mim havia mais chance de conseguir uma vaga para ele a assim poder salvá-lo.
Retornei então à enfermaria levada pelas enfermeiras em uma maca, aguardei, aguardei e aí as dores começaram fui orientada a fazer bastante força e o nenê começou a nascer, só que ele estava atravessado e a médica teve que inverter a posição dele para que ele nascesse na posição correta, nunca pensei que pudesse sentir tanta dor naquela hora, quando meu filho estava nascendo tive a sensação que ele estivesse sendo arrancado de dentro de mim, implorei várias vezes por uma cesariana, eu que sempre fui a favor do parto normal, mas é que meu bebê estava nascendo antes do tempo, era prematuro e por isso eu sofria tanto.
 Nasceu morto no dia 18 de dezembro de 2011 exatamente ás 10:30hs da noite.
Nasceu pesando 1.170kq e medindo 36cm com aproximadamente 27 semanas e na última ultrassonografia o peso dele era 970gr.
Fizemos um enterro descente para ele já que meu outro filho eu não pude enterrar por causa do peso.
Acho um absurdo um bebê só poder ser enterrado se ele nascer com o peso acima de 500 gr Quer dizer então que quando pesa menos deixa de ser gente?
Desculpe-me a ignorância, é a minha maneira de pensar e como mãe de dois anjinhos que sou, tenho direito a questionar e formar minhas próprias opiniões a respeito do fim do meu primeiro filho.
Meu sofrimento maior veio a partir desse momento, uma tristeza profunda hoje toma conta de mim, um vazio e agora não sei se quero pensar em engravidar novamente eu tenho medo que aconteça a mesma coisa.
glitters

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